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Eh, saudade! | |||||||||||||||||||
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Textinho da autocrítica A Ciência como dominação da classe trabalhadora - parte I A dupla marca que legitima a Ciência é a sua suposta imparcialidade e universalidade. No entanto, o que a Ciência faz é operar um mecanismo de universalização de um saber particular, o saber científico. A partir dessa universalização, ela hierarquiza os saberes, de forma que todas as demais formas de conhecimento são parciais, e por isso não são legítimas. A ciência é caracterizada por uma busca da verdade pura, e seus discursos ganham sempre uma autoridade de neutralidade e desinteresse. A partir disso, ela é legitimada enquanto uma verdade e uma necessidade ao progresso da humanidade, e se realiza como uma forma de dominação sobre os que não possuem acesso ao saber científico, aos quais fica relegada a atribuição do fazer, dos trabalhos manuais, enquanto o pensar deveria estar guardado nas mãos dos especialistas, conhecedores da verdade e que podem dizer aos demais o que é melhor para todos. Apenas a ciência tem reconhecida a propriedade de pensar, enquanto as outras formas de pensamento, os demais saberes, são considerados mistificações. Associada ao capital, a ciência surge então como uma forma de conservação do sistema em dois sentidos: tanto como mercadoria a ser vendida e comprada pelos capitalistas para reforçar a produção, quanto como transmissora de uma ideologia que confirma a validade da seleção natural operada pelo capitalismo sobre os indivíduos. A comunidade científica defende o princípio meritocrático, na medida em que apenas os mais capazes poderão se tornar dirigentes, poderão pensar, enquanto os trabalhadores, destituídos da propriedade do pensar (não porque não sejam sujeitos de pensamento, mas porque não têm seu pensamento reconhecido, legitimado, por não pensarem segundo os princípios científicos), devem limitar-se ao fazer. A transformação da ciência em capital (ciência como mercadoria, ou melhor, como insumo de produção) foi implantada pela Revolução Técnico-científica do final do século XIX. Antes dessa Revolução, a ciência era uma “propriedade social generalizada, ocasional na produção”; depois ela se tornou “propriedade capitalista no pleno centro da produção” (BRAVERMAN, 1987: p. 138). Por meio da Revolução Técnico-científica a pesquisa científica mostrou aos capitalistas a sua capacidade de estimular a acumulação do capital. Os capitalistas então perceberam a necessidade de alterar o conhecimento que era produzido nas universidades da época, um saber clássico, para atender às necessidades do capital: “’A diferença (entre uma era clássica e uma era industrial) não é sentimental, mas real: porque aquela nação que for mais eficiente industrialmente em breve se tornará mais rica e poderosa’” (Henry L Gantt, apud BRAVERMAN, 1987: p. 143). O homem mais eficiente nesse esforço de transformação da ciência em capital é com segurança Frederick Taylor. Ele elevou ao patamar máximo a possibilidade de exploração do trabalho por meio da ciência. Introduziu a racionalização no trabalho, de modo a retirar ainda mais a possibilidade dos trabalhadores de pensar a sua produção. Pensar o próprio trabalho significava controlá-lo. Os operários antes de Taylor já haviam perdido muito desse controle, mas o “cão de fila dos patrões” (como chamado por Simone Weil) levou isso ao último limite. “Os contramestres egípcios tinham chicotes para levar os operários a produzirem; Taylor substituiu o chicote pelos escritórios e pelos laboratórios, com a cobertura da ciência” (WEIL, 1979: p. 119). Ford, outro nome importante da racionalização do trabalho, implementou o trabalho em cadeia, que substitui os trabalhadores especializados por ajudantes, e o trabalho qualificado por um conjunto de gestos mecânicos. Se Taylor determinou, com o aval da ciência, que quem pensaria a forma como os trabalhadores produziriam era a direção, Ford reduziu os trabalhadores à qualidade de pequenos motores, engrenagens da produção, limitados a fazer os mesmos dois gestos durante todo o dia de trabalho. “É um aperfeiçoamento do sistema de Taylor que consegue tirar do operário a escolha de seu método e a inteligência de seu trabalho, transferindo estas para a seção de planejamento e de estudos. Este sistema também faz desaparecer a habilidade manual necessária ao operário especializado” (WEIL, 1979: p. 120). A racionalização provocou então a desqualificação dos operários, os isolou, individualizou, por meio da concorrência. A imparcialidade e a universalidade da ciência eram também levantadas por Taylor. Ao defender seu sistema, gabava-se de ter encontrado a harmonia social, resolvido a luta de classes, agradado a todos: trabalhadores, patrões e consumidores, escamoteando desse modo de quem eram os interesses que motivaram a administração cientifica do trabalho: do capital. De fato, os trabalhadores estavam sendo mais explorados que antes, mas não pelo prolongamento da jornada de trabalho, e sim pelo aumento de sua intensidade. A submissão do trabalhador e a perda da solidariedade entre os operários são demonstrações das perdas dos operários com a racionalização de Taylor. Na verdade a exploração foi multiplicada, mesmo que não se percebesse tão claramente a gravidade desse novo modelo. E não foram quaisquer consumidores que ganharam com a racionalização de Taylor. Foram especialmente os consumidores ricos e o Estado, já que a racionalização foi implementada principalmente nas fábricas de artigos de luxo, de consumo durável ou na produção bélica. A produção de alimentos continuava quase que como antes. Escrito por Renata às 14h35 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Textinho da autocrítica A ciencia como dominação da classe trabalhadora - parte II Ao mesmo tempo em que a ciência fora conclamada pelos capitalistas por conseguir ampliar a acumulação, ela foi também levantada por muitos socialistas como a possibilidade de levar a consciência aos trabalhadores, para que eles revolucionassem o sistema. O “socialismo do século XIX” , como era chamado por Makhaïski, pregava a existência de uma vanguarda intelectual que conduziria as massas à mudança social. Entretanto, a experiência da Revolução Russa mostra-nos que só com a supressão da propriedade privada não se impede a exploração dos trabalhadores, os escravos contemporâneos, pois eles continuarão a exercer o mesmo trabalho manual, gerar mais-valia, que agora será passada às mãos do Estado e este a entregará às classes dominantes, os intelectuais, por seu trabalho “mental”. É preciso acabar com a separação entre o trabalho intelectual e o trabalho manual, operado principalmente pela Ciência. A Ciência é uma organização dominante e excludente, e como tal não pode produzir a igualdade ou o fim da dominação e enquanto ela não for questionada, a dominação também não o será. Na Revolução russa o proletariado não assumiu a direção da nova sociedade trazida pela revolução, mas continuou a ser explorada por uma classe dominante – a vanguarda que se dizia representante dos trabalhadores. A opressão então não teve fim porque os trabalhadores não conquistaram a sua autonomia, não puderam dirigir a si mesmos. O socialismo que se pretende científico, vanguardista, não poderá nunca acabar com os fundamentos da opressão que existe há séculos na sociedade civilizada, mas apenas com a forma capitalista dessa opressão. Não eliminaria a existência de classes dirigentes, mas apenas substituiria umas por outras – porque por meio da ciência opera mais uma vez a separação entre os que pensam e os que fazem, e tiram assim do proletariado a possibilidade de pensar o fazer, o seu próprio trabalho. “A ciência socialista cumpre aqui uma função comum a todas as religiões, decorrente de sua aspiração à cientificidade, à objetividade, e de seu caráter onisciente e obrigatório para tudo e para todos” (MAKHAÏSKI, 1981: p. 108). O saber científico reproduz a alienação do trabalho, na medida em que retira do trabalhador o poder de se identificar na sua produção, e coloca a reflexão da produção nas mãos de uma classe parasita. Isso se dá porque tanto no discurso capitalista, quanto no socialista (do século XIX, vanguardista), o saber do operário é desvalorizado, é considerado cheio de ideologias e mistificações, e por isso o operário é tratado como um incapaz. Incapaz de pensar a própria produção, de fazer a revolução, de conhecer a Verdade, de saber o que é melhor para si. O socialismo pressupõe um grau elevado de consciência social e política do proletariado. (...) Ninguém pode ter essa consciência ‘pelo’ proletariado e em seu lugar: nem um individuo, nem um grupo, nem um partido. Não se trata apenas de que uma tal substituição levaria inelutavelmente à cristalização de uma nova camada de dirigentes e reconduziria rapidamente a sociedade a toda ‘mixórdia anterior’; mas de que é impossível que uma categoria particular assuma tarefas que se situam na escala da humanidade e somente dela. (...) Pois, ainda que sobre determinado ponto particular especialistas tenham uma concepção mais ‘correta’, ela não valerá nada enquanto os interessados não virem sua justeza e sua necessidade. E qualquer tentativa de impor às pessoas, no que se refere à sua própria vida, soluções que elas não aprovam transforma imediata e automaticamente tais soluções em algo monstruosamente falso (CASTORIADIS, 1985: pp. 152-153). Somente com a queda da hierarquização dos saberes, a qual hoje é perpetrada especialmente pela ciência em nome de sua objetividade, se poderá impedir que haja exploração da classe trabalhadora, seja dentro de um sistema capitalista ou socialista. Escrito por Renata às 14h35 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Belíssimo texto... Professores da Unesp... sobre o movimento estudantil e a cooptação da intelectualidade acadêmica Oratio vultus animi est (O discurso é o rosto da alma) Antonio Carlos Mazzeo Marcos Del Roio Que vivan los estudiantes Jardin de nuestra alegria Son aves que no se asustan De animal ni policia Y no le asustan las balas Ni el ladrar de jauría... Violeta Parra As recentes manifestações nas Universidades estaduais paulistas revelaram questões e problemas muito sérios que estavam quase que invisíveis ou escondidos sob o tapete da nossa conturbada vida social. Essas mobilizações, inicialmente estudantis e que imediatamente reverberaram sobre os professores e funcionários das Universidades, expressaram fundos significados resultantes de uma crise social de grave intensidade, não apenas restrita aos muros universitários ou da consciência do papel do conhecimento e da educação em tempos de mudanças. É certo que as manifestações das Universidades públicas paulistas tiveram por mote a insensibilidade, a truculência de um governo preocupado com os superávits primários, com a retenção de despesas sociais, e com o cumprimento de acordos políticos confessáveis e inconfessáveis. Mas as manifestações da comunidade acadêmica paulista transcenderam à mera reação indignada frente ao coup de main de Serra, ao estilo burlesco de Napoleon le petit, tentado para arrancar as verbas da Universidade pública para fins não explícitos. Foram para além dos atos de um governador que ignora as mais elementares regras democrático-institucionais, que atropela o parlamento estadual e que desastradamente tenta impor seu estilo autocrático à sociedade paulista. As mobilizações universitárias, que tiveram na sua vanguarda os estudantes, lançaram à sociedade o debate sobre os rumos do publico e do privado em nosso país. Puseram a nu as perversas intenções privatistas e “neoliberais” do Napoleon le Petit da Moóca, mas que não se restringem aos portões do Palácio dos Bandeirantes, porque enraizados num outro palácio, o do Planalto. A luta dos estudantes, funcionários e professores por melhores condições de ensino, pesquisa e trabalho, denunciou a degradação progressiva da sociedade brasileira com a desobrigação do Estado em relação ao conjunto dos trabalhadores, e a opção por um modelo econômico que privilegia os bancos e os monopólios. Mas a movimentação das Universidades Estaduais paulistas, especialmente a luta estudantil, fez purgar ainda um outro grave e crônico tumor da sociedade brasileira: a cooptação. Produto esse indelével da tradição colonial e da condição de subordinação estrutural da economia brasileira aos pólos hegemônicos do capitalismo que fez gerar uma intelectualidade, também ela de cariz colonial e subalterna, estruturada no intimismo à sombra do poder. Particularmente aquela encastelada na burocracia estatal, servil aos seus interesses, materializando a desventura de um liberalismo de viés colonial e “autoritário”, geneticamente amputado de seu intrínseco democratismo burguês, tornado estruturalmente autocrático e bonapartista. Velhos intelectuais intimistas da burguesia, e principalmente aqueles que se arrependeram de um dia, de algum modo, terem servido à causa do povo, transformados em neo-lacaios, esbravejaram contra a “agitação e a baderna estudantil”, clamaram reintegrações de posse para as reitorias e diretorias ocupadas pela brava desobediência civil dos estudantes e se regojisaram com a tropa de choque no Campus Universitário! Como as bruxas de Macbeth, cantaram a ladainha de que “o belo é podre, e o podre belo sabe ser”. Agourentos, evocaram os espíritos das maiorias silenciosas, repetindo como tragicômicos, o grito contra os subversivos de 1964. Na alma de seus discursos o rosto das tentações do “prendo e arrebento”. Mas avisamos, o movimento não caminha solitário ou débil como no passado. Com ele outros setores da sociedade reivindicam, não o assistencialismo, pois esse o governo e a burguesia já oferecem como base de cooptação. A maioria da sociedade civil quer ir adiante, e luta radicalmente por direitos e justo reconhecimento, independentemente do que pensam os intelectuais a serviço da nova ordem do capital, que já não dormem tranqüilos à sombra de um poder cuja base material se esfacela dia a dia. Escrito por Renata às 11h04 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Princesas e plebeus Com essa situação de greve e ocupação nas universidades, percebi o quanto muitas vezes a verdade faz acordos secretos com conveniência, e tem sido costume corrente de alguns membros da comunidade acadêmica se defender acusando o outro. Encobrir o próprio conforto em não se mexer em favor da falta de diálogo de alguns, ou da falta de "civilidade" de outros. Ninguém está nem um pouco preocupado com o fato de que a Amazônia está sendo invadida pelos gringos, ou que as terras quilombolas estão sendo invadidas pelo governo para fazer barragens. Ninguém estava nem um pouco preocupado se a univerisdade estava sendo atacada pelo governo Serra, assim como não se vê um dedo sendo movido contra os ataques à educação básica e à saúde movidos por esse mesmo governador. Mas quando estudantes se manifestam contra o ato ilegal e inconstitucional do governador, ah, isso é um abuso! E aí se ouve: "Ah, por isso que não participo desse movimento, porque o pessoal do movimento estudantil é tudo partidarizado!" Ou "ah, não participo porque não concordo com greve e ocupação"... E tudo se torna um ótimo motivo para não se fazer NADA. O que esses estudantes invadiram foi um espaço público, que por ser público sequer haveria razão de ser restrito à população, portanto, não haveria porque ser "invadido". O maior problema é que se confunde o que é ser público. E já há algum tempo a universidade não vem sendo tratada como algo público. Quem na comunidade dos entornos da Usp ou da Unicamp sabe que pode entrar lá, usar as bibliotecas? E os laboratórios conveniados/financiados por empresas privadas, que usam o patrimônio público para produzir mercadorias? Não estou evitando a autocrítica,de forma alguma. Tenho sérias restrições ao movimento estudantil, tenho sérios problemas com isso. Mas o que questiono aqui é o quão cômodo é ficar sentada no meu canto, vendo a universidade a cada dia ser mais elitizada, mais voltada ao capital e não à população, e acariciar a minha consciência em repetir que a culpa de eu não fazer nada é do Movimento Estudantil. Vândalos era o nome de um dos povos chamados bárbaros na Antiguidade, os mesmos que invadiram Roma e derrubaram o Império Romano. Roma destruiu, invadiu e subjugou até formar o maior Império de que se tem notícia, mas era a Roma Conquistadora. Estava do lado da lei. Os povos que destruíram esse Império eram os bárbaros e os vândalos. Hoje bárbaros e vândalos somos chamados. Quem dera pudessemos também destruir essa Roma de hoje, que nos oprime, subjuga. Mas tem mais gente preocupada em nos civilizar, para que sejamos bem comportados como eles. Que digamos sim a tudo, como eles, que sejamos bonzinhos quais princesas de contos de fada. Como eles. Escrito por Renata às 10h57 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] ![]() Escrito por Renata às 14h14 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] A experiencia contemporanea é marcada pela fragmentação... Pela pergunta sem resposta ou pela não-pergunta. Mais pela não-pergunta de quem já cansou de perguntar e nao ver resposta. Pelo sentimento de angustia ou pelo não sentimento. Mais pelo não sentimento de quem não suportou a angustia do sentir. Ou pelo não-sentimento de quem nunca soube o que é sentir. Ou pelo não-sentimento do sentir demasiado. Pelo entendimento do caos ou pelo não-entendimento. No meu caso, pelo não entendimento de quem tentou entender, mas até agora não conseguiu juntar uma palavra depois da outra. Eu queria mesmo entender a experiencia que vivo hoje. Ou a não-experiencia. Mais a não-experiencia dos que viveram muitas dores e esperanças e agora nao vivem mais nada, vegetam. SOCOOOOOOORRROOO!!!!! Socorro, não estou sentindo Escrito por Renata às 11h19 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Todos os dias ao acordar pela manhã, assino um contrato. Escovo os dentes, diante dos cremes, perfumes e olhando para o espelho, imagino como será revolucionário o meu dia. Vou tomar meu café na padaria, e assino mais uma vez o contrato. Compro o jornal, discuto as noticias, reclamo do governo, digo que ele faz pouco por nós... Reclamo dos impostos... eis o contrato de novo. Vou trabalhar, corro pra chegar a tempo, afinal tenho que ser eficiente (contrato assinado outra vez). Passo o dia inteiro puxando o saco daquele chefe, repetindo o que ele faz, diz, pensa, seguindo ordens (e a caneta naquele maldito papel faz uma nova rubrica). No meio da tarde bate o tédio, já cumpri minha função, mas nao posso fazer nada que nao tenha a ver com o trabalho, fico lá, me entendiando mais um pouco. Penso nas aulas de gravura e circo que poderia estar fazendo naquele momento, naquele grupo de teatro que eu queria tanto formar, no ioga e na natação. Coisas que realmente me fariam mais feliz. Viajo nisso... Me liberto em pensamento... Mas ai penso que o importante é que no fim do mês poderei pagar as minhas contas... Nao todas claro, afinal o governo nao ajuda. Mas ao menos uma parte conseguirei pagar... (papel e caneta se encontram...). Saio do trabalho exausta... vou pra faculdade buscar meu futuro... Lá passo a noite tentando ser um intelectual. Acho que vou poder conduzir junto com meus colegas as massas nas exigências ao governo de tudo o que precisamos (mas claro, nao posso exigir agora... estou usando meu tempo em ganhar o meu salario, em fazer reunioes do partido, do centro academico, do sindicato. Nem o sindicato tem tempo ainda, pois ele precisa antes fazer as reuniões que estao no calendario... (voilà! O contrato!). Vou dormir sastisfeito, pois cumpri as obrigações do meu dia. Rezo pra que amanha seja melhor que hoje, e Deus que trabalhe pra isso. Eu trabalho pra me sustentar, e já é muito. Deus responde: - Filho, quando é que você vai rasgar essa porcaria de contrato?? - Oh, Senhor, era tudo o que eu queria... Mas nao posso. Afinal, os seus adeptos, os vencedores, nao me ensinaram que você nos ensinou a obedecer e servir? Escrito por Renata às 13h55 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] FADO TROPICAL Oh, musa do meu fado Escrito por Renata às 13h39 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Ah, esqueci de dizer: a primeira parte do texto é real. A segunda á baseada na primeira. Escrito por Renata às 13h27 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] 2007 - Unicamp "A - Neste momento T - Neste momento A - mais de 200 estudantes ocupam a reitoria T - mais de 200 estudantes ocupam a reitoria A - Os estudantes pedem T - Os estudantes pedem A - a reconstrução do Bloco B da moradia T - a reconstrução do Bloco B da moradia A - Queremos democracia na universidade T - Queremos democracia na universidade A - Queremos que o reitor T - Queremos que o reitor A - diga não aos decretos autoritários do governo Serra T - diga não aos decretos autoritários do governo Serra" M1 - Mas isso é uma porcaria mesmo, hein! Justo agora que eu estou almoçando! M2 - Mas afinal, o que é que eles querem?? M1 - Esse povo não tem mais o que fazer mesmo, com certeza. Eles só devem ter aula de invasão! Todos em volta se riem. Anos depois, clínica em São Paulo P - Senhor, pelo amor de Deus, faça alguma coisa!!! M1 - Mas justo agora, na hora do meu almoço?? Será que o senhor não pode me deixar comer em paz?? P - Mas moço, ele está morrendo!!!! M1 - Já disse que não posso fazer nada. O senhor se vai. M1 - Aposto que esse daí é um vagabundo. Deve ter feito faculdade de Ciencias Sociais. Imagina, não tem dinheiro pra pagar a consulta do filho, mas aposto que pra beber umas no bar ele tem. E assim as nossas consciencias seguem felizes... Escrito por Renata às 13h24 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] *** O amor realmente não é uma coisa fácil... Há certas pessoas que às vezes a gente preferia não amar. As coisas seriam mais simples... Mas não adianta, a simplicidade é apenas um modo de ver as coisas... E o amor definitivamente não me parece algo simples. Como disse a professora do Tadeu, o amor foge à lógica capitalista. É a única coisa que foge à lógica capitalista. Não tem controle, a gente simplesmente sente e ponto. E traz liberdade... Como liberta o amor!*** And love is not the easy thing ***E realmente dói... Dói amar e saber que o outro sofre... Por isso a gente não tem a noção do quanto sofre Deus. Deus sente todas as nossas dores, Deus nos ama de tal forma que não tem jeito de Ele não nos perdoar. Porque Ele sabe que quando erramos, a cada passo em falso que damos há um motivo escondido, um motivo triste, desesperado, angustiado... Há um lado... ali há uma nuvem... e nós não sabemos o que há atrás dela. E sempre julgamos... Mesmo não conhecendo o outro lado. Consideramos conhecer uma receita de verdade que todos devem seguir para ser felizes, para estar certos. Nos esquecendo do quanto erramos e somos fracos. Shaekespeare dizia que não importa o quanto uma pessoa nos ame, uma hora ela vai nos magoar. E a gente precisa estar pronto para perdoá-la. Afinal, a gente também vai errar com ela, mais cedo ou mais tarde. Porque todos somos imperfeitos. E são as imperfeições que nos tornam únicos. São os nossos maravilhosos defeitos que nos fazem singulares. Perdoar não significa, entretanto, aceitar injustiças. Mas sim evitar o castigo. O castigo pertence à lógica capitalista. O amor não. *** E o amor não é uma coisa fácil
Escrito por Renata às 10h32 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] AOS QUE AMO... "Felizes os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus". Eles são pobres o bastante para despojarem-se do que é seu em nome dos que precisam de sua ajuda. Afinal, ninguém é tão rico que não precise de ajuda, nem tão pobre que não possa doar. E aqui não falo de campanhas de caridade, ou criança esperança (também nao tenho nada contra essas campanhas...). Mas aqui falo de todo e qualquer tipo de amor. No amor dos que dão a propria vida pela justiça, para os que precisam dela, de seu sacrificio virtuoso. A felicidade é plural. Não pode ser encontrada num individuo só. A vida é plural, e só entende de forma experienciada o que quero dizer aqui quem não amesquinha seus sentimentos. Quem se doa, de verdade. Quem sabe viver em conjunto. E respeitar o que consigo vive. "Felizes os que choram, porque eles serão consolados". Acho que aprendi muito sobre essa frase nos ultimos tempos. Tanto porque chorei demais, como porque fui consolada demais. E principalmente porque me sinto extremamente feliz depois de tudo isso. Acho que Deus me sorteou em algum bingo lá encima, e eu ganhei a graça de ter ao meu lado as melhores pessoas do mundo. E a eles agradeço por tudo. Ao meu Ta, pela força, e pela EMPATIA. Ninguem nunca sofreu exatamente do mesmo tantinho que eu sofri, sentiu a minha dor, como ele sentiu nos ultimos tempos. E eu o agradeço e peço desculpas por isso. À minha familia, à minha irmã que veio me consolar no dia de seu chá de bebê, enquanto eu chorava e ao mesmo tempo chegavam as visitas. À minha mãe, por me acalmar, abrandar meu coração e me dizer: "filha, eu estou do seu lado", e com isso me dar forças de seguir. Aos meus pais adotivos (seu João e D. Nice), que também nao pararam de se preocupar comigo e me oferecer ajuda... nunca vou esquecer a forma como me consolaram tambem... Ao Max, Aline, Gabi... por se meterem comigo nessas enrascadas... Ao Wally, à Carol, à Liliane, por me segurarem, mesmo que algumas vezes virtualmente, pela mão... sem palavras sobre vocês, acho que o Tadeu já disse isso ao Wally uma vez, e creio que se aplica a todos aqui citados, aberta ou implicitamente - Quando olho para vocês tenho a certeza de que Deus existe. À turma que tanto me ouviu e fez rir pela minha própria desgraça na reunião na casa da Mel - rir da própria dor é uma das maiores provas da felicidade, e só verdadeiros amigos conseguem nos trazer isso. À minha turma do trabalho... Gente, como fiquei surpresa! Aquele é um dos lugares onde eu mais encontrei generosidade desde quando vim para São Paulo. Fizeram por mim coisas que muitos dos meus melhores amigos nao fariam. E só me conhecem há 4 meses. Me consolaram quando chorei, me deram apoio, ouviram eu milhares de vezes reclamar dos problemas que surgiram. Aliás, se é pra falar de ouvir reclamações minhas, nunca vou esquecer dos meus colegas de turma. Era bizarro, várias vezes eles tentavam mudar o assunto, falar de coisas mais legais, e eu nao conseguia parar de pensar em todas as minhas preocupações. Não conseguia esquecer. E mesmo assim eles ouviam, compreendiam (ou não), estavam ao meu lado (o que mais importa), e ainda ofereciam a casa deles (né, Fabi??, né Hugo??) pra gente morar ou tomar banho... Faltou acrescentar ainda uma pessoa que mostrou ser uma fonte, um chafariz de compreensão... Sabe, Tha, achei que a nossa amizade nao voltaria a ser a mesma depois de tudo... E ela ficou ainda melhor... Muito obrigada pelo ombro...Acho que eu realmente sou rica demais. Pois eu tenho todas essas pessoas bem-aventuradas à minha volta. Pessoas que se doam, que não amesquinham seus sentimentos. Escrito por Renata às 17h21 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] "Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam.
Escrito por Renata às 11h20 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] "Eu não quero ver você cuspindo ódio Hoje acordei diferente... Disposta a amputar o que me maltrata sem um bom motivo, e a cultivar as angustias bem justificadas. Explico melhor: Eu tinha parado de escrever aqui por vários motivos, um deles era o fato de me sentir muito exposta. Mas hoje senti que preciso compartilhar as minhas angustias para que elas nao sumam. Pois é muito triste perder as próprias angústias. Afinal, em que elas se tornam? Ou em grandes certezas furadas, ou em conformismo de não saber a resposta, e aí desisto de perguntar. Algumas dessas angústias, como a dor de ver um ser humano morrer de fome, não podem ir embora simplesmente pelo fato de que nao consigo achar uma solução para isso. Quero continuar me angustiando em paz! Ao mesmo tempo, angustias do tipo "nao sou reconhecida por meu trabalho", ou "não sou a estudante que queria ser", estas angustias sim quero amputar. Quero sentir que estou exatamente no lugar em que deveria estar. Quero sentir que tudo vai dar certo, ao menos uma vez nos ultimos dois anos. Não sei o motivo pelo qual Campinas nao me faz feliz. Mas quero saber os motivos pelos quais eu serei feliz em qualquer lugar a partir de hoje. Pois é assim que quero me sentir: feliz, com as minhas angústias, em paz. Acho que estou parecendo louca, e poucas pessoas hão de entender o que significa esta musica ai encima. Eu nao quero viver cuspindo ódio, nem depender de calmantes para conseguir dormir bem. Nao quero a paz muda, que nada sente ou fala a respeito de nada. Quero essa paz angustiada de quem ama demais e por isso sofre e se angustia, quero a vida na intensidade mais alta que ela pode ter. De felicidade e de dor. Não sou sádica, mas nietzscheana nesse ponto de vista. Se a dor é necessaria e inexoravel, quero vivê-la 100%, assim a gasto toda bem rapidinho, e sobra mais tempo para a alegria. Nao quero ver nada me escorrendo das mãos... Quero atirar as coisas ou segurá-las. Quero que elas fujam de mim correndo ou decidam ficar. Mas nunca quero ter a sensação de vê-las caindo simplesmente, e estar lá, parada, vendo que elas querem ficar, e que eu quero que elas fiquem, e esperando até que vão embora. Quero lutar. Pela vida. Porque "eu estou morrendo, mas nao estou esperando a morte".
Escrito por Renata às 14h11 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] TUDO O QUE EU QUERO QUE VOCÊ SAIBA Que todos os dias quando levanto de manhã imagino quando vou poder ver de novo você amanhecer o dia tão bonito, todo descabelado... Que fico esperando ansiosa, sonhando com o próximo dia em que você vai me esperar na rodoviária, e quando eu chegar olhando pra todos os lados seja surpreendida com um beijo... Do quanto sinto falta das nossas piadas, brincadeiras de criança... de como sinto falta de jogar ludo com você (ainda estamos empatados, lembra?)... De como sinto falta de um beijo apertado, de carinho na minha cabeça até eu dormir (eu durmo em todos os lugares, rsrs)... De saber que tem alguém me observando enquanto eu durmo, pra evitar que qualquer coisa me faça mal.... De me sentir protegida só num abraço bem forte... Eu quero que você sempre saiba que eu adoro cozinhar pra você (salvo aqui toda interpretação machista... eu gosto mesmo de cozinhar), e que sempre fico muito nervosa de saber que você vai comer a minha comida, e por isso ela sempre fica uma porcaria, e mesmo assim você come tudinho, hehehe.... Do quanto eu fico feliz todo final de semestre por ver o quanto esse menino esforçado e tão inteligente conseguiu alcançar nas notas, sempre exemplares... Do quanto eu adoro ver filmes abraçado, normalmente os documentários ou filmes indicados na sua faculdade.... rsrs... Do quanto estudar do seu lado é péssimo para os estudos, hehehe... mas é muito bom pra mim... Tudo o que eu quero que você saiba é tudo aquilo que eu sou tonta demais para conseguir te dizer, ou que talvez não existam mesmo meios para dizê-lo... Eu quero que você saiba, e nunca se esqueça, do tamanho do amor que sinto por você. A SUA MARISA MONTE Eu só quero que você saiba type=text/javascript> Escrito por Renata às 18h25 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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